Sobre ser paciente e a coceirinha da desistência.

Quem aqui já criou expectativas, enfrentou o medo e teve que lidar com o fracasso de não conseguir fazer algo que parecia tão simples? Pois bem, se a resposta for “sim”, bem vinda ao clube :)

Hoje, quase dois anos depois do meu primeiro patins (RIP Traxart), ainda lido com todos esses sentimentos tão intensos: o medo, a expectativa e o fracasso. Quantas de nós já não experimentamos isso em um momento ou outro?

Quando compramos nossos patins, e projetamos nosso futuro no Derby, queremos obter o resultado o mais rápido possível. E a espera desse resultado sempre gera ansiedade.

E quando as coisas não saem como planejamos a decepção é inevitável, então nos frustramos e damos abertura a diversos pensamentos ruins, como o medo de não ser reconhecido pelo que faz, ou a sensação de que o esforço não valeu a pena. A vontade de desistir chega mansa, como um convite tentador. Mas como lidar com tudo isso sem desistir? Faça a si mesma essa pergunta: minhas expectativas são coerentes com a realidade?

Na maioria das vezes a realidade está muito distante de nossas expectativas, mas a ignoramos. A expectativa consome nossa paciência e equilíbrio interno. Parece que quanto mais esperamos mais difícil se torna chegar ao resultado. O Roller Derby é um exercício não só para o corpo, mas para a PACIÊNCIA, pois nessa estrada longa nem sempre temos o controle das coisas. Frequentemente nos decepcionamos, e neste momento (o da decepção) é natural procurarmos culpados (“o patins é ruim”, “tenho um problema aqui ou ali”, “ai, estou com pressão baixa, não consigo”) e desistirmos, às vezes só por um treino, às vezes para sempre. As expectativas não alcançadas geram desde raiva a autopiedade e em alguns casos nos colocam no papel de vítima. Mas o que é correto fazer numa situação assim?

Conheça seu corpo e seus limites, não desista, só por que não conseguiu executar um drill com perfeição não significa que deve abandoná-lo, não consegue dar 100% dê 50%, 40% ou 30% mas continue treinando, tenha metas de acordo com seu nível e busque executá-las. Esqueça as expectativas, concentre-se em ser melhor do que foi no treino anterior, e não tenha medo de tentar.

Quais são os medos mais comuns? Quebrar algum osso, de fazer errado ou fazer feio na frente de estranhos.  O medo é uma sensação natural. A única forma perdê-lo é enfrentando-o. Normalmente quando você decide enfrentar o seu medo, percebe que no final das contas não era assim tão assustador quanto parecia. Aquele medo de correr na pista só será superado quando a pessoa finalmente der o seu melhor e for veloz, o medo de fazer crossover porque parece que teu corpo vai tombar só será perdido quando tu forçar a crossover, o medo de pular só passa pulando! Mas e o medo do fracasso, como superá-lo?

Vivemos em uma sociedade em que o erro não é permitido, tudo o que vemos já vem com a mensagem de “seja bom de primeira!”. Olhamos na tv os atletas acertando as jogadas, os músicos sendo perfeitos sem esforço, os meninos asiáticos de 6 anos fazendo tudo melhor que nós e pensamos: “se eu for fazer algo, tenho obrigação de acertar na primeira!” Essa é a maior enganação do mundo! Sabe por quê? Por que até mesmo as crianças asiáticas treinaram e ERRARAM muitas vezes até conseguirem executar algo com perfeição, ninguém nasce sabendo mas sim, aprende com treino e prática. E como todo o resto, o mesmo se aplica ao Roller Derby, a primeira vez que colocamos um patins nos pés é sofrível, decepcionante, mas a medida que vamos praticando criamos uma conexão entre corpo e patins e as coisas fluem com facilidade, o único segredo é a prática sem medo de errar pois errar faz parte, significa que a tentativa está sendo feita.

Eu já criei muitas expectativas – na primeira semana no time, queria ser tipo a Suzy (risos), tive medo, muito medo. Morria de medo de cair e quebrar os dentes, de correr nos toe stops e quebrar os tornozelos. Me frustrei todas as primeiras vezes que tentei e não consegui, todas as vezes que caí ou quando via colegas de time evoluindo em algo que para mim parecia impossível de fazer… Chorei de raiva e tristeza, culpei os patins, canelas doloridas e pressão baixa até aprender que não seria dando desculpas ou cedendo para o medo que as coisas aconteceriam.

chu2

                                                                   Chu The Preacher (no centro) treinando junto com as outras jogadoras do Team Brazil <3

Aprendi que só baixando a cabeça, me concentrando no drill e esquecendo todo o resto que eu conseguiria,  somente praticando, praticando o drill, praticando a paciência, praticando a arte de não se levar tão a sério,  praticando o ato de saber e entender que errar é humano, natural. Quando entendi que preciso aprender,  treinar e repetir enternamente algo para me tornar no mínimo boa, foi só então que comecei a dar meus  primeiros tropeços nesse caminho que é tão tortuoso, mas ao mesmo tempo tão recompensador de se seguir.  Ainda sinto todos esses coisas, mas hoje sei usá-las como incentivo, embora com a consciência de que nunca  poderei parar, pois a evolução é constante.

Pra finalizar deixo dois conselhos: Pratique, mas pratique constantemente… Não podemos nos acomodar só  porque conseguimos fazer hoje o que julgávamos difícil há três meses, precisamos sempre ir à busca de mais!  E nunca esqueça: o time está ali para te apoiar e ajudar, em momentos de dificuldade se abra com sua equipe,  troque experiências e divida seus pensamentos com elas, às vezes podemos achar que algo só acontece  conosco, mas na verdade acontece com o coletivo e dividindo isso pode-se achar a solução mais rápido.

Bjos, Chu.

 

Um comentário sobre “Sobre ser paciente e a coceirinha da desistência.

  1. Lindo texto Chu, estou morrendo de saudades dos treinos e do time, por que no derby não importa quantas vezes caímos, o que importa é levantar rápido e continuar. <3

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