E quando o D.I.Y. não funciona?

Um dos lemas do Roller Derby é o “Do It Yourself”, que significa “faça você mesma”.

Mesmo para quem está num time a pouco tempo, é fácil notar a força desse lema em tudo que envolve Roller Derby: nos treinos, que foram preparados com muito esmero por cada uma das treinadoras; na iniciativa e dedicação das jogadoras, que quando possível se exercitam fora do derby, assistem aos jogos e a outros vídeos relacionados buscando compreender melhor o esporte e se inspirar – e porque gostamos do nosso Roller Derby, oras!; nos próprios jogos, em que todo mundo trabalha junto (e de graça!) para manter o bom andamento do bout; nos refs e NSOs que estudam e discutem as regras, regularmente atualizadas à medida que o esporte evolui; nas teammates quando criam merchans e eventos para arrecadar fundos ou recrutar mais meninas para o Derby, e assim por diante.

Acreditamos que toda derby girl tem o DIY como uma bússola no seu dia-a-dia, que é algo inato à menina que chega no Roller Derby, ou algo que surge nesse envolvimento com o esporte. Mas, infelizmente, algumas de nós não temos a essência do “Do It Yourself” em nós mesmas. E eu me incluo nessa lista.

Nós admiramos as meninas que tem capacidade de aprender sozinhas coisas inteiramente novas e que, mesmo com os fracassos, seguem em frente e continuam tentando até dar certo.

Pode ser que isso não aconteça conosco porque não chegamos a nos envolver com o RD o suficiente. Pode ser porque raramente deixamos a nossa zona de conforto. Pode ser que tenhamos sido criadas numa família superprotetora. Pode ser que sejamos aquele tipo de perfeccionista procrastinadora, com complexos mil que eu não ouso citar porque não sou psicóloga. Mas sou estudante de Biologia e, como tal, posso afirmar que diante de um desafio assustador os animais – incluindo o ser humano – apresentam uma reação de “luta ou fuga”. No caso de uma derby girl sem DIY spirit, escolhemos fugir. Não só por ser mais fácil, mas porque nos fere menos. Já explico.

Eu garanto que a maioria das mulheres com esse problema continua no Roller Derby justamente porque gostaria de superá-lo. E isso porque, apesar de não terem o espírito do “Do It Yourself” bem desenvolvido, elas tem outra coisa bastante desenvolvida em comum com todas as derby girls: amor pela comunidade de Roller Derby <3. Hehe, sim, mas na verdade eu estou falando é do orgulho próprio.

Ah sim, o orgulho! É ótimo que nós tenhamos orgulho de nós mesmas, das nossas teammates, da comunidade da qual fazemos (e queremos fazer) parte! Mas é PÉSSIMO quando ele vem misturado com uma capacidade de autonomia mínima e uma tendência a recusar a ajuda dos outros. De nada adianta nós acreditarmos em nós mesmas ou no nosso time se diante dos problemas esse mesmo sentimento faz com que nos afastemos das pessoas em quem deveríamos buscar ajuda, recusando aceitar que, sim, nós precisamos de ajuda. Superar isso não é nem um pouco fácil.

Muitas vezes é preciso chegar num limite em que algum outro sentimento teu – como o senso de responsabilidade, particularmente falando xP – bata na tua porta pra acabar com essa festa de colocar todas as inseguranças debaixo do tapete e fingir que está tudo bem. E, mesmo assim, às vezes só gera mais ansiedade.

Okey, quem leu até aqui não aguenta mais, e espera que eu tenha alguma solução pra isso. E, como o teu pessimismo já deve estar sinalizando, não, eu não tenho. Mas eu tenho um conselho: Se for pra começar a aplicar o “Do It Yourself” em algum pedaço da tua vida, que seja tentando desconstruir essa ideia de que você deve “fazer TUDO você mesma”.

Algumas de nós simplesmente precisam de ajuda, de apoio, de poder desabafar pra alguém. Isso é bastante difícil quando temos pouca intimidade com as nossas teammates. Bastante humilhante quando gostaríamos de passar outro tipo de imagem mais positiva. Pode nos encher de medo quando pensamos que não deveríamos estar num time de Roller Derby se não conseguimos alcançar este ou aquele objetivo – e, o pior: que é isso que vão pensar de nós.

Mas não adianta, para que um dia possamos ter o “faça você mesma” internalizado nas nossas vidas, é crucial ultrapassar a maior barreira no caminho de alcançar essa autonomia: a ideia de que temos que lidar com tudo sozinhas. E o Roller Derby não é um esporte de grupo à toa. Talvez devêssemos dar uma chance e nos abrir com as nossas teammates. E, em bons times, várias acabam oferecendo essa ajuda quando percebem o nosso problema. Por que não aceitar?

É provavelmente menos constrangedor fazer isso em particular que em uma postagem pública, hehehe.

Abraços e boa sorte pra todas,

Marcy The Wicked #112.

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