Roller Derby e o Transtorno de Ansiedade

“A Helena fica no gol porque ela não sabe jogar!”

Eu até ficava feliz com isso, porque eu realmente nunca soube o que fazer durante aqueles 13 anos em que fui obrigada a frequentar aulas semanais de Educação Física na escola. Enfim, nunca gostei muito de praticar esportes, mas ainda assim tentei fazer várias coisas, natação, patinação artística, jazz, ginástica rítmica, ginástica olímpica, muay thai, musculação. Não rolou. De nadar e patinar eu gostava, mas não lembro bem por que parei porque eu era criança.

Bom, depois disso a vida começou a ficar séria, eu comecei a fazer uma infinidade de coisas, tipo estudar e trabalhar, e desisti de qualquer coisa relacionada a mexer o corpo, afinal, precisava terminar uma faculdade — depois de 8 longos anos — e seguir trabalhando.

Então eu finalmente me formei e em seguida comecei a trabalhar num lugar legal com pessoas legais, e quando tudo parecia bem, fui pega de surpresa: fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Ansiedade nada mais que é MEDO, e o TAG se caracteriza basicamente por preocupação em excesso e dificuldade de controle disso, além de deixar a pessoa inquieta, irritada, cansada e com muita tensão muscular.

Não foi muito fácil me dar conta que alguma coisa tava errada, nem procurar ajuda, mas foi um passo importante, e nada é mais confortante do que poder dividir essas coisas com as pessoas que eu gosto, e poder contar com elas nesse momento.

É aí que entra o Roller Derby: conheci o esporte há uns 3 anos, pela Dani do Mais Magenta, e me interessei muito, mas na época eu nem sabia que tinha liga em Porto Alegre. Aí no ano passado uma amiga minha entrou na equipe e me convidou pra participar, e eu super me empolguei, mas a série de problemas que eu tava enfrentando contribuiu pra que eu demorasse pra conhecer as Wheels, a primeira liga de Roller Derby de Porto Alegre.

Conseguir sair de casa sozinha — e de bicicleta — pra ir até o Gasômetro pro recrutamento das Wheels, foi algo incrível, pois eu não tava conseguindo fazer nada sozinha há algum tempo, e mesmo quando tinha companhia, conviver socialmente não tava sendo muito animador. Cheguei lá e saber que ia encontrar um rosto conhecido facilitou, mas de cara eu me senti muito de ‘bowie’ entre as gurias da equipe.

Voltei pra casa incrivelmente feliz por ter patinado depois de tantos anos — e pelo progresso em relação às limitações que a ansiedade vinha me trazendo — e com uma certeza: EU QUERO FAZER PARTE DESSA EQUIPE LINDA.

Tudo isso faz só 2 meses, mas parece muito mais. Me sinto incrivelmente bem com as meninas (e o menino) da Wheels, somos uma família. Sinto que ali eu posso ser eu mesma, posso ser quem eu quiser, e que por mais diferentes que sejamos, eu me identifico um pouco com cada um. Na Wheels tem espaço para todo mundo!

Conviver com pessoas que me aceitam como sou, usar minha energia em algo muito legal, conhecer e analisar minhas limitações, aprender que ter paciência é muito importante, festejar os progressos, tudo tem contribuído muito para a minha recuperação! Hoje me sinto muito mais forte, e posso dizer que a Helena vai de jammer, não só porque ela quer, mas porque ela consegue! 

Obrigada equipe!

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