Roller Derby é deixar-se ser – uma analogia com Fight Club

Conheci o Roller Derby aproximadamente uma semana antes do recrutamento do 1° de maio. Estava há muito tempo procurando um esporte pra praticar porque precisava baixar o meu colesterol e desestressar, e fugi de todas as lutas, jogos de quadra e aquáticos. Era tudo a mesma coisa, e eu já tinha experimentado (e me quebrado) o bastante.

Logo que me convidaram pro evento, pesquisei o que pude sobre o esporte e pensei só que:

female fight club

Naquela época eu fazia muitas atividades e dificilmente me comprometeria com outra. Faculdade e estágio todos os dias, yoga segundas e quartas, alemão na quarta à noite, perspectiva de participar de um grupo de pesquisa científica e sono, muito sono em todos os momentos. Meu namorado ainda me perguntou: “Se tu tá cansada e precisa dormir, como tu vai fazer mais uma atividade?”. Era verdade, eu já tinha passado do nível saudável do cansaço.

Eu era como o Narrador de Clube da Luta – cansado de tudo e não podendo abrir mão de nada.

cansada de tudo

E aí, quando eu finalmente cheguei no Recrutamento, eu descobri que aquele era o esporte diferente que eu estava procurando. Eu não tinha qualquer lembrança de infância de ter rodinhas sob os pés, e hoje eu já acho estranho não as ter. Como se o normal fosse simplesmente deslizar por aí sem ter que levantar os pés e colocar um na frente do outro, coisa que faço muito mal por sinal. Assistir à demonstração das veteranas naquele dia, e não entender nada, foi o necessário pra acender aquela faísca de vontade. E ir nos treinos (no começo foi bem complicado, tudo doía e parecia que eu estava aprendendo a andar de novo) me fez entender o porquê das pessoas se viciarem em esporte.

Eu passei a ser Tyler Durden, embora menos inconsequente, mas vivendo com mais vontade.

tyler durden

O Derby, e a equipe, me ensinaram alguns conceitos que eu já tinha esquecido. A gente cansa, e nossos músculos não funcionam, mas eles ficam mais fortes. A gente abdica, deixa de sair (ou de ficar em casa) pra treinar, mas a gente evolui. A gente ouve certos comandos e desenvolve certas birras, mas cria consciência de jogo e entende que aquela teammate só quer que a gente seja uma boa skater. Estar em uma equipe é confiar nas outras e deixar que confiem em ti. Além de tudo isso, é ter a liberdade pra ser aquela pessoa legal e esforçada que a gente sempre quis, através de um alter ego, e levar isso aos poucos pra fora da track.

 

Roller Derby é deixar-se ser e se aceitar para evoluir, e aceitar as consequências disso. Hoje, me vejo uma pessoa mais esforçada, com mais foco, mais saudável, menos estressada e, principalmente, menos negativa sobre minhas capacidades.

just let it be

No entanto, a única explosão do final da minha história é a minha na track. Não tem prédio caindo, nem um cara de samba canção. Mas acaba tudo bem, eu garanto.

 

Khaotic Kira, #93

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